
As relações diplomáticas entre Japão e Coreia do Sul nunca foram muito amenas. Após muitos anos de disputas territoriais, regimes de colonização e atritos diplomáticos, um fator inusitado tem estreitado a relação entre os países: o k-pop.
A Reuters explorou um recente artigo como o gênero musical, que já é febre mundial, fez a cabeça dos jovens japoneses, que agora também tentam a sorte como estrelas da música.
A tensão entre os dois países, que tem seu ápice entre 1910 e 1945, justamente o período da presença japonesa no território coreano, pouco abala os jovens que fazem esse intercâmbio musical.
"Eu posso até receber críticas por ser japonesa, mas eu quero subir no palco e mostrar para os sul-coreanos que nós podemos ser legais", afirmou Rikuya Kawasaki, de 16 anos. A garota é uma das candidatas que tentaram entrar na Acopia School, um centro especializado em treinar talentos do k-pop. Ela foi reprovada.
Para essas escolas e agências que trabalham diretamente com o gênero coreano, o Japão é crucial: o país é o dono do segundo maior mercado consumidor da música, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, segundo números de 2018 do instituto IFPI.
"Seria muito bom que o Japão e a Coreia se dessem bem e isso acontecesse por meio da música", disse a japonesa Yuuka Hasumi, 17 anos, uma das alunas da Acopia.
Busca, rotina e treinamento:
Hasumi é uma das 500 jovens do Japão que entra na Acopia todos os anos em busca de aulas e treinamentos para se tornar uma estrela do k-pop. Em alguns planos oferecidos pela escola estão: aula de dança, coreano e canto, que chegam em um valor total de até US$ 3mil por mês.
"É duro. Passar por esse treinamento e elevar minhas habilidades no palco é algo que será bom para minha estreia", completou.
E o intercâmbio tem se provado benéfico para os dois lados. O grupo TWICE, por exemplo, tem nove cantoras, sendo três japonesas, e se tornou o segundo grupo mais popular no Japão, atrás somente do gigante BTS.
Talentos japoneses:
Embora essa diplomacia que envolve mercado e música esteja em paz, não existe um desejo do setor em verbalizar isso, segundo aponta o artigo da Reuters, que procurou o escritório da JYP Entertainment, que cuida da carreiro do TWICE.
"Agências ficam relutantes em discutir o sucesso no Japão e a entrada de talentos japoneses para não inflar nenhum tipo de crise política", diz o texto, que cita fontes dentro da industria musical.
Aos 19 anos, Nao Niitsu deixou Tóquio e foi para Seul para fazer testes em agências. De 10 escritórios onde realizou as avaliações, foi aprovada em cinco.
"Ouvi muitas histórias de cantores que não têm tempo livre e não podem fazer o que querem, mas acho que todas as estrelas do k-pop passam por isso." - Nao Niitsu, 19 anos.
Miyu Takeuchi, por exemplo, é a prova disso. A japonesa deixou o grupo já consolidado AKB48 para assinar com uma agência de k-pop em busca de uma carreira na Coreia. Mesmo experiente, ela tem sete horas diárias de aulas de canto e duas aulas por semana de dança que duram duas horas. Isso sem falar nas aulas de coreano.
"Não sei por quanto tempo meu treinamento vai durar, mas chegará um momento em que meus treinadores e empresários dirão 'Miyu, você é uma profissional'".Fonte: UOL
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